quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A quatro dias de desfile, Imperatriz Leopoldinense troca nome de ala que fala de uso de defensivos

Da Redação - Viviane Petroli
22 Fev 2017 - 11:23






Após polêmica em torno do seu samba enredo, a escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense anunciou que alterou o nome da ala denominada “Os fazendeiros e seus agrotóxicos” para “O uso indevido dos agrotóxicos”. A ala em questão foi a que mais causou impacto e revolta em meio ao setor produtivo mato-grossense e brasileiro.
 
A renomeação da ala foi anunciada pelo presidente da agremiação, Luiz Pacheco Drumond, e pelo carnavalesco Cahê Rodrigues durante visita nesta semana do presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Vieira, do diretor da entidade João Adrien, e do presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antônio Alvarenga.


Samba enredo da escola Imperatriz Leopoldinense gera revolta em meio ao agronegócio

Após polêmica com críticas ao agro, Imperatriz Leopoldinense garante que não ataca o setor
 
Com alas chamadas de "Fazendeiros e Seus Agrotóxicos" e "Pragas e Doenças", além de em determinado trecho do samba enredo chamar os produtores de "belo monstro", a escola de samba Imperatriz Leopoldinense segue trazendo “revolta” em meio ao setor produtivo e industrial mato-grossense e brasileiro. Na avaliação de produtores, entidade e da indústria brasileira de máquinas, como o Agro Olhar já comentou, a atitude da escola de samba é considerada como um "desserviço" e "irresponsável" ao “tratar o agronegócio como culpado por eventuais mazelas vividas pelos indígenas".
 
O encontro entre a Sociedade Rural Brasileira, a Sociedade Nacional da Agricultura e a Imperatriz Leopoldinense ocorreu no barracão da própria escola de samba.
 
A visita foi uma iniciativa da própria Sociedade Rural Brasileira, pois, segundo a entidade, ela acredita que "o diálogo é o melhor caminho para esclarecer percepções generalizantes sobre o setor".
 
Durante o encontro, o presidente da escola de samba Luiz Pacheco Drumond afirmou que não houve intenção da agremiação em agredir o setor produtivo brasileiro. Drumond ainda revelou, conforme a Sociedade Rural Brasileira, que ele próprio é um "fazendeiro".

A Imperatriz Leopoldinense entra na Marques de Sapucaí às 00h10 de domingo, 26 de fevereiro. A agremiação afirmou para as entidades do setor produtivo que a reformulação do nome da ala denominada “Os fazendeiros e seus agrotóxicos” para “O uso indevido dos agrotóxicos” é uma maneira de evitar uma percepção generalista de que todos os agricultores usam defensivos agrícolas indiscriminadamente.
 
De acordo com o presidente da Sociedade Rural Brasileira, o episódio criou a oportunidade para que um canal de diálogo com a sociedade fosse aberto para desmistificar o trabalho realizado por milhares de agricultores no país.
 
"Nossas posições não são conflitantes, pelo contrário. O agronegócio é uma atividade moderna e responsável, como o Carnaval. A qualidade dos nossos produtos é o cartão de visitas do Brasil nos mercados internacionais, assim como o Carnaval é um dos símbolos nacionais. Somos ambos peças fundamentais para o desenvolvimento e para a cultura do país", observa o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Marcelo Vieira. Ainda conforme ele, a entidade foi até a "Imperatriz para atestar que não há uma disposição beligerante do agro em relação à escola e que acreditamos no diálogo para solucionar qualquer mal-entendido”.
 
O carnavalesco Cahê Rodrigues, segundo a Sociedade Rural Brasileira, pontuou para a entidade que “A Imperatriz privilegia temas culturais e nunca quis ser polêmica. Queremos mostrar o dia a dia do indígena da maneira mais real possível, mas nós fazemos Carnaval, festa, folia. Não estamos errados, mas somos de paz. Então, para evitar qualquer generalização sobre a atividade rural, optamos por mudar o nome da ala para ‘O uso indevido dos agrotóxicos".
 
Para o Conselho Estadual das Associações das Revendas de Produtos Agropecuários do Estado de Mato Grosso (Cearpa-MT) a alteração do nome da ala que trata de agrotóxicos foi uma decisão "assertiva".
 
"Foi uma decisão muito assertiva mudar a forma de falar do defensivo agrícola e do agrotóxico. O que prejudica a segurança alimentar é o uso indiscriminado e o uso de produtos que não são recomendados. São os produtos contrabandeados, roubados e adulterados que estão colocando em risco a segurança alimentar. Então, temos a certeza absoluta que esta mudança é muito sensata e vai inclusive nos fortalecer no combate a esses crimes que afetam a sociedade", avalia o presidente do Cearpa-MT, Gilson Provenssi, em nota.

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