quarta-feira, 19 de julho de 2017

Capital inicial foi dificuldade para 80% das startups do agro, diz estudo


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Capital inicial foi dificuldade para 80% das startups do agro, diz estudo


Startups já ocupam lugar de destaque no cenário nacional e mundial, mas, em geral, elas são empreendimentos inovadores voltados para a indústria
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Publicado em 19/07/2017 às 12:38h.
As startups já ocupam lugar de destaque no cenário nacional e mundial, mas, em geral, elas são empreendimentos inovadores voltados para a indústria. Entretanto, o crescimento das startups no segmento do agronegócio já é uma realidade no Brasil, como sinaliza o Censo de Startups realizado pela  AgTech Valley - movimento orgânico, não governamental para desenvolver uma agricultura sustentável e de alta tecnologia para o desenvolvimento social nascido na ESALQTec, incubadora tecnológica que atua junto à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo - ESALQ/USP.
A Embrapa Produtos e Mercado/Escritório de Campinas e a Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) promoveram um encontro entre um dos desenvolvedores do Censo, técnicos e pesquisadores da empresa além de alguns convidados externos com o objetivo de conhecer o Censo de Startups na área de agropecuária no Brasil.
Mateus Mondin, da AgTech, um dos responsáveis pela pesquisa, é engenheiro agrônomo e professor do Departamento de Genética da Esalq/USP. Ele contou durante a palestra que se envolveu com o censo de startups atendendo a um convite de José Augusto Tomé, que trabalha com o desenvolvimento de startups do setor agrícola e tinha uma inquietação a respeito do tamanho deste setor no país.
O Censo AgTech realizado com 75 startups do Brasil, mostrou alguns indicadores interessantes para conhecimento dos pontos positivos e negativos do setor e as dificuldades enfrentadas pelas startups do agronegócio.
A idade dos fundadores, diferentemente dos empreendedores de outras áreas da inovação, que tem uma concentração de jovens, tem sua maioria na faixa etária entre 31 e 40 anos (44%) e a parcela de jovens entre 21 e 25 anos é de apenas 12% e apenas 3% com idade inferior a 20 anos. Entre 26 e 30 existem 25% dos empreendedores e acima de 40 anos o setor já tem 16% de participantes.
As respostas ao censo mostram que 76% das startups contam com pelo menos um administrador, 65% com um profissional de programação, 88% tem expertise técnica relevante e 53% tem expertise obtida em pós graduação.
Em 40% das empresas o quadro de pessoal é restrito aos fundadores, 29% têm empregados registrados, 22% das empresas mantêm bolsistas, 21% atuam com consultores e 28% contam com voluntários. Além desses dados, foi levantado que 76% das empresas atuam com até cinco (5) profissionais.
Um fato interessante neste levantamento é a motivação que deu o start (início) das empresas, isto é o que motivou o empreendimento. Do total pesquisado, 15% surgiram de demandas dos fundadores que não foram atendidas enquanto consumidores, 21% nas universidades e outra parcela de 21% foram originados com base no negócio de empresas em que os fundadores atuaram. Outros fatores levantados foram a observação de outros mercados (20%), a experiência em negócios familiares (6%) ou um hobby dos empreendedores (6%).
O censo mostra que o “boom” destas startups do agronegócio aconteceu entre 2014 e 2016 com 80% das iniciativas, sendo que em 2015 foram criadas 30% do universo total das startups existentes atualmente. A maior incidência destas iniciativas acontece em São Paulo (50%), seguido por Minas Gerais com 18%, Paraná com 9%, Santa Catarina com 8% e Rio Grande do Sul com 7%.
O negócio das startups rurais vem progredindo, mas, nem tudo são flores e o censo mostra claramente as dificuldades. As principais são o levantamento do capital inicial para investirem em suas ideias, conquistar os primeiros clientes, condições para dedicação em tempo integral para a startup, encontrar sócios e equipe para abrir a empresa, inexperiência em administração, desconhecimento do mercado e dos potenciais concorrentes e 80% tiveram dificuldade em levantar o capital inicial.
Do total pesquisado, 42% não recebeu nenhum tipo de investimento, usando recursos próprios ou financiamento bancário para iniciar a startup, 25% teve recursos provenientes de família ou amigos, 24% a fundo perdido, 9% de aceleradoras, 6% de investidores anjos e 5% capital de risco.
O gráfico do faturamento das empresas mostrou que 55% ainda não tem faturamento anual, 18% tem faturamento até R$ 50 mil e 12% faturam acima de R$ 100 mil. Quanto ao potencial de seus produtos alcançarem o mercado externo, 95% responderam positivamente.
As áreas de atuação das startups se concentram em equipamentos inteligentes  (25%), agricultura de precisão (24%) softwares para gestão (50%) e  tecnologias de suporte à decisão (56%). Outros temas que se destacaram foram consultoria, proteção de cultivos, comercialização de insumos, e de produtos agropecuários, segurança alimentar e rastreabilidade, irrigação e tecnologias ligadas ao consumo de água, em agricultura indoor, drones e robótica, biomateriais e bioquímicos, tecnologias de alimentos e nutrição animal.
Os principais mercados atingidos são o de soja (49%) Milho (46%), cana-de-açúcar (41%) e café (32%) se estendendo para outras áreas em menor percentual como a pecuária de corte (28%), culturas florestais (18,7%) e  citricultura (14,7%).
Mateus Mondin explicou que as startups do setor rural se diferenciam em muitos aspectos das urbanas. Para começar, no “Agro”, em geral, o empreendedor quer ser o dono da empresa, isto significa que ele não quer criar, acelerar e vender a empresa. Os empreendedores “agros” sabem que a agricultura tem muitas variáveis como o clima, ciclo de produção entre outras, então não dá para pensar no empreendimento rural do mesmo modo que se estrutura uma empresa urbana.
A Embrapa e as startups
Sobre a interação da Embrapa com a AgTech vejo como uma oportunidade aditiva no aspecto do empreendedorismo e de transferência de tecnologia”, além de uma parceira para contribuir nas próximas etapas da pesquisa, disse Mateus Mondin.
Sílvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária comentou que já utilizam alguns dados do censo, mas, não conheciam a pesquisa completa. Ficou entusiasmada em poder participar da próxima etapa do censo contribuindo com indicadores, de acordo com o convite de Mondin.
Vitor Mondo, gerente do Escritório de Campinas da Embrapa Produtos e Mercado acredita que a Embrapa como desenvolvedora e fornecedora de tecnologias precisa estar próxima às startups do agronegócio porque elas representam o desenvolvimento e a aceleração da  inovação.
Mondin se entusiasmou com as possibilidades da parceria e disse que é possível realizar eventos abertos à universidade, mostrando tecnologias que podem virar produtos, ou lançar desafios para os estudantes criarem planos de negócios para as tecnologias apresentadas. É possível também fazer rodadas de conversas entre as startups e a Embrapa para levantar aquelas que tem sinergia para fazer a transferência das tecnologias da empresa, enfim, há muito trabalho a ser realizado, finaliza ele.

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