“Se a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) voltar (ao cargo) será um caos para o agronegócio”. A avaliação é do vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho, Glauber Silveira. Ao Só Notícias, ele afirmou que o setor teme uma reação “raivosa”, em caso de reprovação do impeachment de Dilma no Senado. “O agronegócio apoiou o afastamento. Então, a gente espera que ela não volte e acho difícil isso acontecer. Mas, se voltar, será drástico”, destacou.
Para Glauber, houve uma melhora na credibilidade da economia brasileira com o afastamento da petista. “O brasileiro ainda não está totalmente satisfeito, mas o ânimo melhorou. São dados do instituto Datafolha. Houve até reação no câmbio. Agora, a gente está na expectativa que o Brasil vai entrar no rumo. É claro que não é a mudança de uma única cabeça que vai permitir isso. É algo gradativo. Mas a expectativa é positiva”.
Como avanços dos primeiros meses do governo do interino Michel Temer (PMDB), Glauber citou as nomeações dos “mato-grossenses” Neri Geller, para a Secretaria de Política Agrícola, e Blairo Maggi para o Ministério da Agricultura. “Os ‘caras’ são daqui de Mato Grosso. Isso é avanço. Além disso, tivemos várias reuniões com o novo governo e discutimos o tempo todo. Ele (Temer) sabe das nossas expectativas. Está certo que não pode fazer muita coisa em razão desta indefinição, mas acho que não tem como piorar em relação ao governo anterior”.
Termina amanhã o prazo para a entrega das alegações finais da defesa de Dilma Rousseff à Comissão do Impeachment. Depois disso, o relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), terá cinco dias para apresentar o seu parecer sobre a pertinência da acusação. O relatório será votado pela Comissão e, em seguida, pelo Plenário, encerrando assim a fase de pronúncia do impeachment.
Caso a decisão seja a favor da continuidade do processo, Dilma Rousseff será submetida ao julgamento final pelo Senado. Esse rito, se acontecer, será comandado pelo presidente de Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Se o entendimento de 54 senadores, no mínimo, for de que a presidente cometeu crime de responsabilidade, ela será afastada do cargo em definitivo e ficará inelegível para mandatos públicos por oito anos.
As alegações finais da acusação no processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff foram apresentadas à Comissão do Impeachment no dia 12 de julho. O documento de 131 páginas foi entregue pelo advogado João Berchmans Serra, que auxilia a equipe denunciante, e reforça os argumentos apresentados anteriormente. Para a acusação, a presidente cometeu crimes de responsabilidade como parte de um modus operandi de governo para se “perpetuar no poder”.
O texto rebate também a tese da defesa de que o impeachment de Dilma seria um “golpe de Estado”. A acusação lembra que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) chancela o processo porque lançou uma representação posterior contendo, entre outros argumentos, os mesmos decretos orçamentários e “pedaladas fiscais” que integram a denúncia atual.
O documento relativiza os depoimentos das 38 testemunhas de defesa que falaram à comissão nas últimas semanas. Eles foram descritos como “cantilena decorada e repetitiva”. A acusação diz ainda que, em muitos casos, os depoentes falavam “em causa própria”.
A acusação também menciona a perícia técnica conduzida por servidores do Senado sobre os documentos que integram o processo de impeachment. O laudo concluiu que os decretos suplementares foram incompatíveis com a meta fiscal de 2015 e que os atrasos em repasses a bancos públicos referentes ao Plano Safra — as “pedaladas” — constituíram operações de crédito.
Fonte: Só Notícias/Agronotícias/Herbert de Souza (foto: assessoria/arquivo)

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