sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Alto Uruguai registra aumento na fronteira agrícola

Agricultura

Alto Uruguai registra aumento na fronteira agrícola


Especialista da Emater reforçou que o Alto Uruguai é extremamente agrícola
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Publicado em 23/02/2018 às 10:29h.
Com o crescimento de cerca de dez mil hectares de área cultivada de soja na região, o Alto Uruguai Gaúcho ampliou sua fronteira agrícola. Na safra 2016/2017, os 32 municípios da região totalizaram 233.900 hectares, enquanto que na safra deste ano, o número subiu para 243.464 hectares de área cultivada.
Hoje, de acordo com levantamento da Emater Regional, o município que mais planta soja na região é Sertão, com praticamente 32 mil hectares de soja. Acompanhando a lógica técnica de que os municípios que fazem divisa com solo mais plano são os que mais têm área de soja plantada, seguem essa lista, Quatro Irmãos, Campinas do Sul e Jacutinga, com 18,5 mil, 16,3 mil e 12,8 mil hectares, respectivamente. Já os municípios com menor área plantada de soja são Itatiba do Sul (620 ha), Barra do Rio Azul (870 ha) e Aratiba (881 ha).
De acordo com o assistente técnico de produção vegetal da Emater regional, Nilton Cipriano Dutra de Souza, esse crescimento da fronteira agrícola da soja, reflete diretamente na diminuição das áreas cultivadas de milho. Porém, de acordo com o técnico da Emater, tem alguns casos que aumentaram as duas áreas, pois os produtores desmataram as propriedades, retiraram as residências do zona rural e passaram a residir na cidade, ou mesmo, as áreas que eram de pastagem deram lugar para lavoura de plantio. “Muitas famílias residem na zona urbana e trabalham em suas propriedades na zona rural”, disse.
O especialista da Emater reforçou que o Alto Uruguai é extremamente agrícola e, o setor primário é considerado a principal fonte de renda, principalmente nos pequenos municípios. “Hoje são 32 municípios da Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau), no qual Erechim é exceção, pois a Capital da Amizade tem sua economia focada nos serviços, comércio e indústria. Depois vem a agricultura. Já nos pequenos municípios a agricultura é principal fonte econômica”, relatou.
Culturas de verão
Segundo o técnico, durante o período da safra de verão, os agricultores têm três grandes culturas onde os produtores concentram seus esforços. “Em primeiro lugar, em termos de produção e de área, a soja; em segundo lugar o milho e em terceiro lugar o feijão. Essas três culturas juntas somam aproximadamente 280 mil hectares de área cultivada no Alto Uruguai com as culturas de verão. Desses 280 mil, 243 mil é da cultura de soja, em torno de 33,3 mil hectares de milho e 1,1 mil hectares de feijão”, explicou.
Inversão de culturas
Segundo Nilton, existe uma percepção de que houve uma inversão de valores nas culturas. “Na década de 70 e 80 tínhamos duas culturas que predominavam na região. O feijão e o milho. Hoje basicamente, feijão e milho somados, não acumulam 35 mil hectares. Sendo que essas culturas já chegaram a ocupar mais de 100 mil hectares na região”, explicou.
Essa realidade tem causa, entre elas, o avanço da soja, se destacando tanto como cultura, bem como pelo mercado líquido bem mais volátil. “A soja tem mais liquidez, o agricultor recebe mais retorno financeiro e, com isso, outras culturas, como milho e feijão começaram a declinar. Antigamente, o feijão era o grande responsável pela economia nas propriedades, depois o milho e por último a soja. Agora o processo é inverso”, relatou.
Hoje, é correto afirmar que a grande cultura da região do Alto Uruguai é a soja, que ocupa 243 mil hectares, com tendência de aumento a cada ano, segundo o técnico da Emater.
Importação de milho
O grande volume de milho do Brasil vem da região Central e de estados como Mato Grosso. A importação de milho pelos produtores gaúchos é considerada mais rentável economicamente. “É muito mais vantajoso o nosso agricultor importar o milho de outras regiões porque é mais barato, do que ele ter um custo de produção que é alto”, afirmou.
Para se fazer uma lavoura de milho com todos os padrões técnico, são investidos cerca de R$ 2,7 mil por hectare, para vender o milho a um preço médio de R$ 28. Com isso, o agricultor tem que colher 90 sacos só para pagar o investimento. “Esse é um dos principais fatores: a economia. Por isso os produtores declinam da produção de milho e apostam na soja, que é uma lavoura de custo mais barato. Com R$ 1,3 mil se faz um hectare de soja e o agricultor vai colher até 80 sacos e vender a um preço de aproximadamente R$ 68/saco. É muito mais do que compreensível, analisando custo e retorno, que o agricultor concentre seus esforços na propriedade na cultura da soja, pois o produtor quer rentabilidade e hoje a soja atende essa demanda”, afirmou.
Os dois lados da moeda
Na avaliação do especialista da Emater, o crescimento da fronteira agrícola e o avanço da soja nas lavouras do Alto Uruguai têm dois lados. “É bom e é ruim ao mesmo tempo. É bom porque toda a renda que gera e que circula na região, vai para o comércio, setor de máquinas, de adubos, de sementes. Gira esse capital na região, que dá uma respirada dentro do setor econômico. Por outro lado, tecnicamente falando, é ruim porque o milho ocupa um lugar muito importante na conservação do solo”, esclareceu.
“Esses são os dois gargalos, ou seja, os dois lados da moeda. Temos praticamente um monopólio da soja e precisamos de alternativas com outras culturas. Felizmente, alguns produtores têm essa consciência”, reforcou.
O ténico da Emater recomenda aos produtores que deixem no mínimo 1/3 da área da lavoura para o cultivo do milho dentro do sistema de rotação de culturas.
Quase dois bilhões de toneladas de grãos
A produção de grãos, nos 280 mil hectares somando soja, milho e feijão, produz mais de um bilhão e 800 toneladas de grãos em uma safra. “Por isso que afirmamos que a indústria que mais gera retorno para a economia é a agricultura. A expectativa é que os governos mantenham seus olhos na agricultura, com políticas agrícolas definidas para que o setor se fortaleça ainda mais em Erechim, na região, no Estado e no Brasil”, finalizou o técnico da Emater.
Erechim
Apesar dos números preliminares do Censo Agropecuário 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrarem que Erechim reduziu a área produtiva de 31 mil em 2006 para 28 mil hectares em 2017, os dados da Emater revelam que a área plantada de soja segue crescendo. Na safra 2016/2017 foram 9,5 mil hectares, enquanto que em 2017/2018 esse número subiu para 9,7 mil.

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