sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

31/01/2014 - 15:13

31/01/2014 - 15:13 Nova exigência egípcia de umidade para importar trigo prejudica França Agência Estado O trigo francês pode ser bom o suficiente para uma baguete em Paris, mas já não parece ser consenso entre os fabricante do pão baladi do Cairo. A agência estatal de grãos do Egito - conhecida como Autoridade Geral de Fornecimento de Commodities ou GASC - mudou discretamente o nível de umidade admissível do trigo que importa. A GASC não fez anúncio público da mudança, mas traders familiarizados com processo de licitação do órgão apontaram que ela não aceitará umidade média acima de 13%. O trigo francês tem um teor médio de umidade de 13,5%. Uma pista sobre a mudança veio na terça-feira, quando a agência divulgou os resultados de sua mais recente licitação. Ela comprou 240 mil toneladas de trigo: 180 mil toneladas da Rússia e de 60 mil toneladas de soft vermelho de inverno dos EUA, mas nada da França. Um porta-voz da GASC não foi localizado para comentar o assunto na quinta-feira. O Egito é o maior importador mundial de trigo e faz suas compras principalmente por meio da GASC. Para a França, a decisão ameaça frustrar uma indústria que é fonte de orgulho nacional e de exportações. Agricultores franceses embarcaram para o Egito, em média, 1 milhão de toneladas de trigo por ano nos últimos cinco anos. A França é uma das grandes potências agrícolas da Europa e um guardião feroz de sua herança agrária. Uma porta-voz da Copa-Cogeca, o sindicato dos agricultores europeus, disse que a mudança do Egito é 'prejudicial para a sobrevivência de agricultores franceses'. A notícia da mudança derrubou os futuros de trigo negociados em Paris para 186 euros (US$ 254) por tonelada intraday na quinta-feira, nível mais baixo em 4 meses e meio. Mas o movimento do Egito reflete outra realidade sobre o mercado global de trigo. O excedente do cereal faz com que mesmo um país quase sem recursos, como o Egito, que tem enfrentado crise interna, pode se dar ao luxo de ser exigente. A alta umidade no trigo reduz a quantidade de farinha que pode ser moída a partir dele. E a França tem tido dificuldade de manter seus grãos secos. 'Nós tivemos muitos problemas com chuvas', disse Virginie Nicolet, porta-voz FranceAgrimer, agência agrícola do governo francês. Os preços do trigo caíram 22% em 2013, e o grão teve um dos piores desempenhos entre commodities no ano passado. A expectativa de boas colheitas em grandes produtores como Austrália, Canadá e países da antiga União Soviética foi o principal motor da liquidação. O Egito também comprou menos do que o habitual. A França teve problemas com a qualidade do trigo na safra passada e enfrentou forte concorrência de Rússia, Ucrânia e Romênia pelo lucrativo mercado do Oriente Médio e Norte da África - para onde vai cerca de 70% do trigo vendido ao exterior pela França, de acordo com o grupo de lobby francês Cereais de Exportação da França. Alguns operadores agora projetam que as exportações da França no restante da temporada podem ser prejudicadas se outros grandes importadores de trigo francês da região seguirem o exemplo do Egito. O grupo de lobby disse que pretende abordar oficialmente a decisão egípcia e está elaborando um documento descrevendo a importância do trigo francês para o suprimento do Egito. Traders disseram que o movimento abrirá espaço para o trigo dos EUA em uma época em que o Egito normalmente tem menos fornecedores do grão. Alguns portos do Mar Negro congelam durante o inverno, exigindo que compradores como o Egito garantam o abastecimento com trigo da França, Austrália e dos EUA. O trigo norte-americano tipicamente apresenta um teor de umidade de 12% ou menos. 'Os franceses normalmente seriam os mais competitivos nesta época do ano, mas o Egito os tirou da lista', disse Louise Gartner, dona da Spectrum Commodities, corretora com sede em Beavercreek, Ohio, acrescentando que a decisão pode aumentar a procura pelo cereal norte-americano. A mudança, entretanto, teve pouco impacto sobre o mercado de futuros de trigo dos EUA na quinta-feira. O contrato de trigo para entrega em março na Bolsa de Chicago subiu 2 centavos de dólar, ou 0,4%, para US$ 5,5350 por bushel, influenciado por fortes exportações relatadas pelo governo em relatório semanal e pelo sentimento que o grão ficou mais barato depois de cair para a mínima em três anos e meio na quarta-feira. Fonte: Dow Jones Newswires.

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