quinta-feira, 11 de maio de 2017

INTERDITADO FRIGORÍFICO EM MT ACUSADO DE DESTINAR ANIMAIS MORTOS DURANTE TRANSPORTE PARA CONSUMO HUMANO

INTERDITADO FRIGORÍFICO EM MT ACUSADO DE DESTINAR ANIMAIS MORTOS DURANTE TRANSPORTE PARA CONSUMO HUMANO

O Sistema de Inspeção, vinculado à Secretaria Municipal de Agricultura, interditou um frigorífico em Juína (601 quilômetros de Sinop), acusado de destinar suínos mortos durante o transporte para produção de alimentos embutidos, que seriam consumidos pela população. A informação foi confirmada, ao Só Notícias/Agronotícias, pelo secretário de Agricultura do município, João Manoel Souza Perez.
Ele explicou que os fiscais flagraram a prática “fraudulenta” na última semana, no interior da sala de abate. “Eles constataram que animais, que morreram durante o transporte e deveriam ser destinados à reciclagem por uma empresa especializada, estavam sendo manipulados na sala de abate. O intuito era usar a carne para confecção de embutidos, uma indústria paralela do frigorífico. Ao constatar isso, o técnico informou o veterinário responsável pelo serviço de inspeção, que determinou a paralisação imediata de todas as atividades”.
Segundo o secretário, desde o ano passado, a prefeitura havia constatado irregularidades no frigorífico. Ele afirmou que, em janeiro deste ano, foi firmado um termo de compromisso com o arrendatário responsável pela unidade, para que houvesse adequação. “É um frigorífico projetado para abater de 20 a 25 cabeças por dia e estava com o dobro disso, às vezes até mais. Havia também irregularidades na questão tributária, que não vinha sendo recolhida regularmente, e ambiental, em relação ao despejo dos dejetos”.
De acordo com João Manoel, o próprio arrendatário apontou os prazos que necessitava para regularizar as falhas apontadas pelo sistema de inspeção. “Ele mesmo colocou os prazos para fazer estas adequações. Veja bem, todas estas situações poderiam levar à interdição do frigorífico, mas o município não fez isso pois sempre quis colaborar. Nunca intentamos inviabilizar o processo de abate. Nestas questões, a gente pode dar prazo. Agora, quando se trata de saúde pública, não tem jeito”.
Até o momento, conforme o secretário, o arrendatário não procurou a prefeitura para negociar a reabertura da unidade. “Ele pode voltar a atuar, no entanto, a desinterdição está condicionada ao termo de compromisso assinado em janeiro. Até agora, não conseguimos encontrar o arrendatário. Um parente informou que há intenção na reabertura, porém, eles precisam fazer algumas adequações para que isto ocorra”.
Outro lado
Só Notícias/Agronotícias tentou contato com o arrendatário do frigorífico, que não foi localizado para comentar o assunto. O filho dele, que não quis se identificar, negou que a direção da unidade tenha dado ordens para reaproveitamento dos animais mortos durante o transporte. Segundo ele, houve um “erro operacional” por parte dos funcionários e uma “má interpretação” da situação por parte dos fiscais.
“Houve a morte de dois animais durante o transporte. Eles estavam sendo descartados, quando os fiscais chegaram e acharam que seriam aproveitados. Porém, a inspeção não estava errada, pois houve procedimento errado por parte dos funcionários. O fiscal entendeu como tentativa de aproveitamento. A direção da unidade nunca deu autorização para utilização destes animais. Isso nunca ocorreu. A qualidade da nossa carne é atestada pelos clientes, que nunca reclamaram dos produtos. Agora, vamos fazer as adequações para trabalhar novamente. Muita gente depende disso”.
No total, o frigorífico emprega 14 funcionários, que seguem paralisados. Parte dos suinocultores do município que abatiam na unidade estão destinando a produção para outros locais.

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